domingo, 4 de junho de 2017

Dos Agra, de Parnamirim/PE, aos Malaquias de Queiroz, de Recife/PE

Aqui começa a genealogia da minha bisavó Aurene Malaquias, matriarca da família Malaquias de Queiroz, de Recife/PE. Esta genealogia também vale para os Aquino Malaquias, do Rio de Janeiro/RJ, provenientes de Alípio Malaquias da Silva, irmão de Aurene.

1- Início da pesquisa

Clique para revelar a introdução (parte pouco relevante em termos de genealogia)
Era maio de 2016, e até então eu só sabia que os pais da minha bisavó Aurene Malaquias se chamavam Rosendo Malaquias da Silva e Francisca Aurora, e que vieram de Parnamirim, uma cidade do Sertão de Pernambuco.
Além das histórias orais da família, de que Rosendo era um homem de posses (o que levantava a possibilidade de ele pertencer a famílias importantes e, consequentemente, com história registrada, permitindo chegar longe em sua genealogia), eu tinha algumas fotos do casal, o que causava em mim um certo fascínio (estava olhando para pessoas nascidas antes de 1900). Fora isso, não me restava mais informação alguma.
Entre as fotos eu olhava aquela senhora, que em nada parecia ter de especial, a começar pelo nome "Francisca Aurora", assim, sem sobrenome nem nada. "Devia ser apenas uma moça bonita, com quem Rosendo resolveu se casar", pensava eu.
Foi então que eu conheci o site FamilySearch.org, que, apesar de pertencer aos mórmons, é aberto e gratuito a qualquer pessoa. Os mórmons vem há vários anos microfilmando livros de cartórios e paróquias (até as católicas mesmo), que abrangem nascimentos, matrimônios e óbitos, e os disponibilizando online. E olhando aqueles livros manuscritos garranchudos de 1889, pouco a pouco foi se revelando um passado interessantíssimo, registros de várias pessoas desconhecidas, mas que pouco a pouco iam criando vida, como personagens de um conto, à medida que apareciam cronologicamente registrando mais um filho aqui, assinando como padrinho de outro ali, ia se formando uma belíssima teia social.
E, no meio de toda essa teia social, lá estavam Rosendo e Francisca, casando e registrando filhos. E podia-se ver que os padrinhos das crianças eram sempre gente de prestígio, como por exemplo os Agra (família do próprio fundador da cidade de Parnamirim/PE, o tenente-coronel Martinho da Costa Agra). E então, documento a documento, a senhora que até então parecia ser apenas uma velhinha qualquer do sertão, conhecida por mim e minha avó e tias-avós apenas por "Francisca Aurora", foi se revelando alguém de uma linhagem incrível, chegando ao ponto de ser descendente do próprio Martinho. E é sobre as 2 primeiras anteriores (pais e avós) a Francisca Aurora que se trata esse post.
Para as gerações anteriores a isso, e também para os ancestrais de Rosendo, haverá outras postagens.

Agradecimentos

Agradeço aos mórmons, pelo fantástico trabalho de microfilmar tantos livros, disponibilizando-os online, de forma gratuita e evitando que aquelas informações se percam à medida que o papel estraga com o tempo. Muito obrigado mesmo! Quero também deixar meu muito obrigado à minha tia, Ana Cláudia Queiroz de Oliveira, mas que prefiro chamar apenas de "tia Ana", por levar as perguntas à minha avó e meus tios avós, perguntas que me iam surgindo à cada descoberta, cujas respostas foram fundamentais à pesquisa. Agradeço também a vovó Mabel e tia Vilma, pela maior parte de contribuição de memórias. Agradeço a tia Gracinha pelo envio das fotos antigas da família. Obrigado também à prima Fátima Kenworthy, a qual descobri e fiz contato por espalhar pela internet tentativas de contato com familiares desconhecidos. Graças a Fátima consegui mais fotos. Obrigado ao meu outro primo também descoberto durante as pesquisas, o grande Herivelton Agra, morador de Parnamirim/PE e detentor do maior acervo da família Agra, o qual complementou bastante minhas pesquisas com documentos e livros que ele tem. Obrigado ao professor Yoni Sampaio, pela gigantesca pesquisa que faz ao longo de muitos anos a qual foi compilada em alguns livros, que me foram cedidos. Obrigado também às primas Maria das Graças Alves, Ingrid Lopes Neuman e Onara Peixoto de Alencar, com as quais troquei diversas informações, todas as 3 pesquisadoras e também descobertas pela pesquisa. Obrigado ao também recém-descoberto primo Nivaldo de Carvalho, que em meio à dureza no sertão ainda encontra tempo para pesquisa (ele pesquisa há mais de 40 anos) e gentilmente me respondeu várias vezes. Obrigado ao grupo "Genealogia FB", uma grande comunidade no facebook, na qual pesquisadores amadores se ajudam mutuamente, tentando decifrar registros quase indecifráveis que lá postamos (uma ajuda fundamental). E, por fim, obrigado aos primos do RJ, do grupo "De onde os Malakas vieram", que se interessaram bastante pelo meu trabalho, o que me incentivou a continuar.

2- A pesquisa em si

Aurene Malaquias, minha bisavó, nasceu em Parnamirim/PE, 1919. Filha de um casal bastante rico e prestigiado, o major Rosendo Malaquias da Silva (que será tratado com mais detalhes numa postagem própria sobre a família Malaquias), natural de Ouricuri/PE, 1861, mas crescido em Floresta/PE, e Francisca Aurora, natural de Parnamirim/PE, 1884. Começamos, portanto, com a árvore acima.
Rosendo Malaquias da Silva e Francisca Aurora tiveram um total de 13 filhos, todos nascidos em Parnamirim/PE (não estão em ordem):
Aurora, Alcides, Adalgisa, Adalberto, Adalcina, Alípio, Aluísio, Amarílio, Albino, Alba, Arlinda, Aurília e Aurene. (Abrir detalhes)
  • Aurora, nascida em 17/02/1898. Nascimento Aurora [Reg.168]
  • Alcides, nascido em 04/12/1899 e falecido em Recife, 19/11/1981. Nascimento Alcides [Reg.228] | Óbito Alcides [Reg.1857]
  • Adalgisa, nascida em 29/06/1901. Nascimento Adalgisa [Reg.253]
  • Adalberto
  • Adalcina, nascida em 02/01/1903 [2]. Falecida com cerca de 25 anos, de tuberculose. É avó da prima Fátima Kenworthy.
  • Alípio, nascido em 20/10/1904. Casou com Severina Agra de Aquino, dando origem ao clã Aquino Malaquias, que existe predominantemente no Rio de Janeiro/RJ. Nascimento Alípio [Reg.281]
  • Aluísio
  • Amarílio
  • Albino
  • Alba
  • Arlinda, nascida em 26/09/1914. Provavelmente faleceu novinha, pois não é lembrada pela família. Nascimento Arlinda [Reg.317]
  • Aurília
  • Aurene, nascida em 01/08/1918 e falecida em Recife, 07/01/2003. Casou com Arthur Barbosa de Queiroz, dando origem ao clã Malaquias de Queiroz, que existe predominantemente em Recife/PE. Óbito Aurene
Família e empregados. Dos senhores em pé lá atrás, o terceiro (da esquerda para a direita) é tio Alípio, e o quarto é meu trisavô Rosendo. Das senhoras sentadas nas cadeiras, a que está ao centro com um bebê no colo é a minha trisavó Francica Aurora. Imediatamente à esquerda dela, está Adalcina. Das crianças à frente, a menina sentada, com a cabeça de lado escorada na perna da mãe, é minha bisavó Aurene.
Aurene
Francisca Aurora (com Aurene criança na foto do meio)
Tio Alípio
Tia Aurília
Tia Alba e tia Aurília
Tio Alcides e esposa
Dois dos irmãos (não identificados)
Rosendo Malaquias da Silva e Francisca Aurora casaram-se em 28/07/1896 (Casamento Rosendo e Francisca). Na época Rosendo tinha 35 anos, e Francisca tinha apenas 12 ou 14. Apesar de no registro de casamento Francisca aparecer como tendo 14 anos, há alguns detalhes que sugerem o contrário: 1-Segundo minha bisavó Aurene, sua mãe lhe contava que ainda brincava de bonecas quando casou. 2-Na certidão de óbito de Francisca Aurora (Óbito Francisca Aurora), em 1957, consta que ela tinha 73 anos, logo ela teria nascido em 1884, tendo cerca de 12 anos ao casar. O erro na certidão de casamento pode ter sido proposital, pois Rosendo era rico, o que pode ter feito a família da noiva mentir para não perder o que chamavam de "bom partido".
Rosendo e Francisca tinham tudo para viver suas vidas inteiras em Parnamirim/PE. Ele era major, tinha diversas propriedades e foi, segundo Herivelton Agra, a primeira pessoa a ter um automóvel na região. Ele também era muito bem quisto pela sociedade local, tanto que aparece em muitos registros cartoriais, assinando como testemunha de diversos nascimentos, casamentos e óbitos. E pelo lado de Francisca, apesar de não ter no sobrenome, ela era descendente dos Agra (família do fundador de Parnamirim), Costa Araújo, Alencar, Souza Ferraz, Pereira de Carvalho, entre outras famílias que tinham renome no sertão, e ainda mantinha contato com os mesmos, como mostram os laços de apadrinhamento nos registros de nascimento dos seus filhos.
Porém, eis que aterrorizava aquele sertão o famoso Lampião. Segundo conta tia Vilma (minha tia avó mais velha, neta do casal), quando Lampião estava para passar por Parnamirim, enviava um mensageiro na frente para avisar ao "coroné Rosendo" de sua chegada. Rosendo, sem escolha alguma, pedia para Francisca preparar um banquete para recebê-los. Quando o bando chegava, sentavam-se à mesa e Lampião exigia que ela provasse a comida primeiro, para que tivessem certeza de que não estava envenenada, e só então comiam.
Pelo que conta vovó Mabel (também neta do casal), Rosendo resolveu mudar-se para longe com a família, pois temia que suas filhas fossem molestadas pelos cangaceiros. Mudaram-se, então, para Campos Frios, um distrito de Xexéu/PE.
Em Campos Frios foi onde minha bisavó Aurene conheceria meu bisavô Arthur Barbosa de Queiroz, o administrador da Usina Santa Teresinha. Mas foi lá onde Rosendo se entristeceu, pela perda de grande parte de sua riqueza que deixou para trás e pela perda de todo aquele prestígio social que tinha, e passou o restante de sua vida sem falar.

2.1- Família Costa Araújo - Francisco Lino

Francisca Aurora, minha trisavó, era filha de Francisco Lino da Costa Araújo e Aurora Manoela de Carvalho (que tratarei no tópico 2.2). Francisco Lino teria nascido em Parnamirim/PE, em data desconhecida (após 1847), e em 1889 já consta como falecido. Com uma mulher anterior a Aurora Manoela, ele teve ao menos 2 filhos:
Juvenal Lino da Costa e Pedro Lino da Costa. (Abrir detalhes)
  • Juvenal Lino da Costa, nascido cerca de 1868. Casou em 07/08/1890 com Manoela Angélica das Virgens, tia de Aurora Manoela de Carvalho. [2]
  • Pedro Lino da Costa, nascido cerca de 1869. Casou em 28/01/1900 com Aurora Lopes de Matos. [2]
Já com Aurora Manoela de Carvalho, teve ao menos 3 filhas:
Maria Aurora das Virgens, Manoela Aurora das Virgens e Francisca Aurora. (Abrir detalhes)
Em 16/09/1875 é relatado incidente de sedição, no qual Francisco Lino da Costa Araújo é indicado por "cabeça principal da sedição". É relatado que "os cabeças foram Francisco Lino da Costa Araújo, Ildefonso da Costa Araújo e o autor da morte foi Severiano da Costa Araújo". Mas ao final, "submetidos a júri, foram libertados por falta de testemunhas". [2]
O episódio acima citado retrata uma triste realidade, mas muito comum, e que voltaremos a ver em outros momentos neste blog. Francisco Lino pode realmente ter sido injustamente acusado, mas também é possível que fosse culpado e livrado da justiça por ser de uma família influente (ele era neto de Martinho da Costa Agra, fundador da cidade em que vivia), coisa que ainda é possível de ser ver no Brasil nos dias de hoje. De qualquer maneira, matar alguém naquela época por alguma rixa era algo menos bárbaro do que hoje, socialmente falando, visto que o sertão era uma espécie de mundo de "faroeste". Às vezes, também, não matar um desafeto implicava em ser morto por ele depois (o que não sabemos se era o caso).

2.1.1- Família Costa Araújo - Lino

Francisco Lino da Costa Araújo, meu tetravô, era filho de Lino da Costa Araújo e Geracina Maria do Carmo (que tratarei no próximo tópico, 2.1.2), moradores na fazenda Bom Jardim. Lino nasceu cerca de 1823. Casado com Geracina em data desconhecida, mas não antes de 1847 (ano em que o primeiro marido dela faleceu), teve 4 filhos, os quais os homens herdaram o sobrenome paterno e as mulheres herdaram o sobrenome materno (do pai de Geracina):
Raimundo da Costa Araújo, Francisco Lino da Costa Araújo, Ana Docelina da Costa Agra e Ermina Secundina da Costa Agra. (Abrir detalhes)
  • Raimundo da Costa Araújo, casado com Francisca Brasilina de Miranda. [2]
  • Francisco Lino da Costa Araújo, já tratado no tópico anterior.
  • Ana Docelina da Costa Agra, nascida cerca de 1854. Casou com o capitão Ângelo Ernesto da Costa Agra, que, ao ficar viúvo, viria se casar depois com Aurora Manoela de Carvalho, minha tetra avó, que ficara viúva de Francisco Lino. [2]
  • Ermina Secundina da Costa Agra, única entre os irmãos viva na data do óbito de sua mãe, em 1898. Casou com tenente Silvestre Martiniano Costa Agra. [2]
Lino da Costa Araújo foi a pessoa nomeada por sua sogra, Josefa Maria do Carmo, para resolver os problemas relacionados ao inventário do falecido Martinho da Costa Agra (sogro de Lino).
Lino era irmão de Manoela da Costa Araújo, uma outra pentavó minha, que veremos mais adiante no tópico 2.2.2. E ambos pertenciam a duas importantes linhagens sertanejas que virão tratadas em uma postagem própria no futuro: os Costa Araújo e os Souza Ferraz.

2.1.2- Família Costa Agra - Geracina

Como já vimos, Francisco Lino da Costa Araújo, meu tetravô, era filho de Lino da Costa Araújo e Geracina Maria do Carmo, moradores na fazenda Bom Jardim. Geracina nasceu cerca de 1823, pois consta em seu registro de óbito (Óbito Geracina [Reg.106]) em 1898 que falecera com 75 anos.
O registro de óbito de Geracina foi a peça mais fundamental de toda a minha pesquisa, pois como seu filho Francisco Lino havia falecido antes de 1889 (ano em que foi aberto o cartório de Parnamirim) eu não tinha os registros de casamento ou óbito do mesmo, o que provavelmente me levaria ao fim da linha neste ramo. Mas ao me deparar com o óbito de Geracina, um documento tão completo que incluía o nome dos seus pais e dos filhos (algo raro, pois no óbito de idosos nessa época geralmente consta apenas o nome do esposo), estava ali o nome de Francisco Lino da Costa Araújo entre os filhos, e o nome do comandante superior, tenente-coronel Martinho da Costa Agra, fundador da cidade em que todos dessa linhagem viviam, como pai.
Graças a essa informação, fui atrás de pesquisadores, pois como Martinho era uma figura histórica, haveria pessoas estudando e publicando coisas sobre ele. Foi nessa busca que conheci o primo pesquisador Herivelton Agra (também conhecido como Veto), descendente também de Geracina. E através dele consegui diversos livros, dentre os quais o magnífico "Antigas Famílias do Sertão", de Yoni Sampaio, o qual consta uma gigantesca árvore construída a partir de centenas de documentos (todos os documentos do cartório que eu havia encontrado estavam presentes nesse livro, fielmente transcritos, além de muitos outros). Tais livros me permitiram complementar o que eu já tinha, e também permitiram ir muito mais longe (hoje há ramos que estou na 13a geração). Muito obrigado, primo Veto! Muito obrigado professor Yoni Sampaio!
Geracina aparentemente foi uma mulher muito bonita, pois teve 3 maridos, tendo inclusive o último deles, segundo a tradição oral da família lá de Parnamirim, sido "roubado" de uma de suas filhas! (Eita velha danada!)
Com Lino da Costa Araújo teve os 4 filhos já citados no tópico anterior. Mas com o seu primeiro marido, José Leonel de Alencar (também primo dela), teve outros 3:
Josera Maria de Alencar, Tertuliano José Leonel de Alencar e Maria Brazilina de Alencar. (Abrir detalhes)
  • Josefa Maria de Alencar, nascida em 1839. [2]
  • Tertuliano José Leonel de Alencar, nascido em 1841. [2]
  • Maria Brazilina de Alencar, nascida em 1843. [2]
Geracina descende de três importantes linhagens sertanejas que virão tratadas em uma postagem própria no futuro: os Costa Agra, os Alencar e os Alves Viana.

2.2- Família Pereira de Carvalho - Aurora Manoela

Como já vimos, Francisca Aurora, minha trisavó, era filha de Francisco Lino da Costa Araújo (que tratei no tópico 2.1) e Aurora Manoela de Carvalho. Aurora Manoela nasceu em Granito/PE, cerca de 1860, pois em seu segundo casamento em 23/09/1890 aparece como tendo 30 anos (Segundo Casamento Aurora Manoela [Reg.15]). Além dos 2 filhos que teve com meu tetravô Francisco Lino, teve mais 2 com seu segundo marido, o capitão Ângelo Ernesto da Costa Agra:
Euthymio Ângelo da Costa Agra e Ana Aurora da Costa Agra. (Abrir detalhes)
  • Euthymio Ângelo da Costa Agra. [2]
  • Ana Aurora da Costa Agra ("Naninha"). [2]
Ana Aurora e seus pertences guardados por sua neta Ana

2.2.1- Família Pereira de Carvalho - Antônio

Aurora Manoela de Carvalho, minha tetravó, era filha do capitão Antônio Pereira de Carvalho e Manoela da Costa Araújo (que tratarei no tópico 2.2.2), moradores do sítio São Bento, em Granito/PE. Estima-se que Antônio tenha nascido entre 1823 e 1830, em algum lugar do Sertão Pernambucano, provavelmente em Exu/PE ou Granito/PE, onde tinha propriedades. Casaram em 17/08/1851. Em Granito/PE nasceram seus filhos (não estão em ordem):
Joaquim Pereira de Carvalho, Aurora Manoela de Carvalho, Manoela Angélica das Virgens, Eufrásio Pereira de Carvalho, Eufrásio Pereira de Carvalho, Apolinário Pereira de Carvalho, Olímpio Pereira de Carvalho, Aurora Pereira de Carvalho, Antônio Pereira de Carvalho, Pedro Pereira de Carvalho e Ana Manoela de Carvalho. (Abrir detalhes)
  • Joaquim Pereira de Carvalho, nascido em 1856. Casou com Ana Pereira de Carvalho. [2]
  • Aurora Manoela de Carvalho, minha tetravó, nascida em 1860, já tratada no tópico anterior. Segundo Casamento Aurora Manoela [Reg.15]
  • Manoela Angélica das Virgens. Casou com Juvenal Lino da Costa, filho natural de Francisco Lino da Costa Araújo e Luzia Maria da Conceição. [2]
  • Eufrásio Pereira de Carvalho (nome em homenagem ao sogro de Antônio). Foi major. Casou com Antonia Jesuina do Amor Divino. [2]
  • Apolinário Pereira de Carvalho. [2]
  • Olímpio Pereira de Carvalho. Casou com D. Maria Francisca de Lima. [2]
  • Aurora Pereira de Carvalho. Casou com Antônio Pereira Luna. [2]
  • Antônio Pereira de Carvalho. Casou com a prima Dorgival Pereira de Carvalho Alencar, filha de João Pereira de Carvalho (irmão de seu pai). [2]
  • Pedro Pereira de Carvalho. Casou com Liberalina Maria de Jesus. [2]
  • Ana Manoela de Carvalho, nascida cerca de 1869. [2]
Por volta de 1869, Antônio ficou viúvo. Casou um ou dois anos depois com Antônia Maria de Carvalho, de Jaicós/PI, lugar onde foi morar. E com ela teve ao menos mais 2 filhos:
Joaquim Pereira de Carvalho Alencar e Carolina Manoela de Carvalho. (Abrir detalhes)
  • Joaquim Pereira de Carvalho Alencar, nascido cerca de 1871. [2]
  • Carolina Manoela de Carvalho. Casou com José Francisco Saraiva. [2]
O capitão Antônio Pereira de Carvalho exerceu mando e poder na região de Exu/PE, alimentando desavenças que possivelmente vinham dos pais e do conturbado período de 1817 a 1832. Pela memória familiar, depois destes incidentes, na década 1870, passou para Jaicós/PI, onde tinha parentes, os Antão de Carvalho, tendo uma irmã casado com Joaquim Antão de Carvalho, de Jaicós. [2]
Antônio descende de duas importantes linhagens sertanejas que virão tratadas em uma postagem própria no futuro: os Alencar e os Pereira de Carvalho. Estes últimos, como será mostrado, uma família poderosa, mas violenta desde sua origem, envolvida em conflitos sangrentos até mesmo contra seus tão próximos primos dos Alencar, em nome apenas (pelo que me parece) de orgulho e avareza.

2.2.2- Família Costa Araújo - Manoela

Como já vimos, Aurora Manoela de Carvalho, minha tetravó, era filha do capitão Antônio Pereira de Carvalho(que tratei no tópico anterior) e Manoela da Costa Araújo, moradores do sítio São Bento, em Granito/PE. Manoela nasceu em 1832, pois aparece com 5 anos no inventário de sua mãe, que falecera em 1837. Segundo a memória da família, Manoela também era conhecida como Manoela da Costa Agra (sua avó paterna era Antônia da Costa Agra).
Acredito que um sepultamento relatado no livro "Padres do Interior II [pág.8]" se trate desta mesma Manoela:
"No dia 27/02/1869 outro corpo foi sepultado em 'em Catacumba desta Matriz do Granito'. A falecida era D. Manoela Francisca do Nascimento, branca, pouco mais de trinta e um anos, falecida de estupor, esposa do Capitão Antônio Pereira de Carvalho, morador no sítio São Bento. (PETROLINA. Arquivo diocesano. Livro de Óbitos de Adultos, p.10v.)."
Usar nomes diferentes era uma prática muito comum naqueles tempos, principalmente entre mulheres, que muitas vezes elas possuíam um sobrenome de família e um outro "sobrenome" de cunho religioso (como por exemplo: "da Conceição", "do Nascimento", "das Virgens", "do Carmo", etc), e o seu uso era alternado entre as ocasiões. É possível, portanto, que Manoela fosse conhecida também por este terceiro nome, Manoela Francisca do Nascimento.
O fator da idade citada "pouco mais de trinta e um anos", que não condiz com a idade esperada (36 ou 37), pode ter sido uma mera especulação feita pelo padre que realizou o sepultamento. Caso essa idade esteja correta surge uma segunda hipótese (menos possível, na minha opinião): a Manoela que aparece no inventário seria uma irmã, que provavelmente faleceu depois, ainda pequena, enquanto que a Manoela, minha pentavó, seria fruto já do segundo casamento de seu pai (o major Eufrásio da Costa Araújo), embora não haja nenhum registro disso. A segunda esposa do major Eufrásio se chamava Inocência Maria das Virgens, filha do tenente-coronel Martinho da Costa Agra, o que faria com que, de qualquer forma, todos os bisavós da minha trisavó Francisca Aurora permanecessem os mesmos (Maria Angélica Ferraz continuaria como sua bisavó pela parte de Lino da Costa Araújo, e o casal Martinho e Josefa não seriam novidade, pois já eram seus bisavós pela parte de Geracina Maria do Carmo).

3- Mapa com os lugares abordados

  1. Parnamirim - Onde nasceu e viveu a maior parte da família.
  2. Ouricuri - Onde nasceu Rosendo Malaquias da Silva.
  3. Floresta - Onde Rosendo cresceu.
  4. Xexéu - Para onde Rosendo se retirou com os filhos menores, por temer o bando de Lampião, perdendo o vínculo com o sertão.
  5. Granito - Onde vivia Antônio Pereira de Carvalho e nasceram seus filhos.
  6. Exu - Onde Antônio tinha terras e parece ter vivido parte da vida.

4- Considerações Finais

Vimos aqui a linhagem da minha bisavó Aurene Malaquias até os seus 4 bisavós maternos, base da extensa genealogia dos ancestrais de sua mãe Francisca Aurora que será mostrada aqui em outras postagens sobre as famílias sertanejas: Agra, Costa Araújo, Pereira de Carvalho, Alencar, Souza Ferraz e Alves Viana.

O que ainda pode ser feito (inclusive por você)

  1. Futuramente farei o exame do meu DNA mitocondrial (DNA que é passado apenas da mãe ao filho), o que corresponderá ao DNA mitotocondrial de Manoela da Costa Araújo. Assim, caso algum descendente em linha exclusivamente matrilinear de Maria Angélica Ferraz ou Josefa Maria do Carmo também o fizer, poderemos comparar os testes e comprovar, definitivamente, qual das duas esposas do major Eufrásio da Costa Araújo foi a mãe de Manoela.
  2. Não tenho acesso aos livros paroquiais de Parnamirim/PE, Exu/PE nem Granito/PE (apenas os livros cartoriais estão disponíveis online no FamilySearch.org). Caso você seja um pesquisador e more numa dessas cidades, poderá encontrar documentos que adicionem dados à pesquisa. Caso tais livros um dia venham a ser colocados online, eu os lerei. Os livros paroquiais possivelmente alcançarão meados dos anos 1700, ao contrário dos cartoriais que abrangem apenas até 1889.
  3. Se você por acaso tem fotos das pessoas aqui envolvidas, ou de irmãos e primos, as fotos serão muito bem vindas. Se tiver histórias sobre os mesmos, também ficarei feliz em acrescentar ao blog. Meu e-mail é pvegito@gmail.com
  4. Se você é descendente de algum dos envolvidos neste post, pode entrar em contato comigo (pvegito@gmail.com) informando a sua linhagem até um destes antepassados, que terei o maior prazer em anexá-los ao conteúdo e árvores do blog.

Referências

  1. Registros cartoriais de Parnamirim/PE e Recife/PE.
  2. "Antigas Famílias do Sertão", do professor Yoni Sampaio.
  3. "Padres do Interior II", do padre Francisco José P. Cavalcante.

7 comentários:

  1. QUE LEGAL ESSA HISTORIA DA MINHA FAMILIA,EU NAO SABIA QUASE NADA

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  2. Que legal! Sou da família Malaquias, meu primeiro nome é Randerson. Acredito que meu bisavô (Joaquim Malaquias) seja descendente de um dos seus também. Pelo que sei ele veio de Ribeira do Pombal-Ba, perto da divisa com Pernambuco. Será que tem uma ligação?

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    1. É possível que sim, Randerson. Apesar do meus trisavô Rosendo Malaquias da Silva ser do sertão de PE, o pai dele, Manoel Malaquias da Silva, era de Penedo/AL (nascido lá pelos anos 1810 ou 1820), e era filho de um Antônio José Malaquias, do qual nada sei. Antônio José Malaquias deve ter tido muitos outros filhos fora Manoel. No FamilySearch, se você procurar pelo sobrenome Malaquias em Penedo, encontra vários registros no século XIX, o que imaginam que sejam os descendentes que ficaram por lá. Ribeira do Pombal/BA é relativamente perto. Uma coisa que você pode procurar um dia, é um exame de DNA com fins genealógicos (MyHeritage.com.br , FamilyTreeDNA.com ou qualquer outra empresa do ramo), nessas empresas eu tenho o exame da minha avó, que é neta de Rosendo Malaquias. Caso você seja descendente desses mesmos Malaquias, haverá uma correspondência genética.

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    2. Rosendo era irmão do meu bisavó, Cornélio Malaquias da Silva. Não sei onde ele nasceu, mas viveu em Floresta/PE, o seu nome deu origem a família Cornélio! Gostaria de saber onde Cornélio Malaquias nasceu, pela ordem, parece ser o filho mais velho do Sr. Manoel Malaquias. Infelizmente não conheço nada da história dos seus pais e irmãos, salvo o que informa os arquivos da "Genealogia Pernambucana". Existe um prédio no centro de Floresta, que os meus primos herdaram, que consta o Brasão, de Cornélio Malaquias! Se puderem me ajudar, agradeço! Boa noite!

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    3. Em tempo, o meu nome é Flávio CORNÉLIO, herdamos esse sobrenome, digamos assim... simpático! kkkkkkkk

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    4. Olá Flavio, obrigado por entrar em contato :)

      Cornélio provavelmente nasceu na freguesia da Fazenda Grande (que mais tarde se tornaria o município de Floresta), pois era lá onde Manoel Malaquias da Silva (pai de Cornélio) viveu depois de ter vindo de Penedo (cidade natal dele).

      Sobre Manoel, tenho uma curiosidade: em 2017 um historiador lá de Floresta me disse: "A única ligação registrada pela tradição oral foi o sepultamento de Manoel Malaquias, na Faz. Cacimbinhas (parte da Panela Dágua), pelo meu bisavô materno Dionísio Lopes de Barros, por volta de 1877, quando ele regressava do Ceará, onde buscava produtos agrícolas para revenda e contraiu uma doença contagiosa (cólera) e morreu no caminho de volta, sendo enterrado na beira da estrada. Ainda hoje existe naquele lugar a "cruz do Malaquias", dentro, hoje, do cercado do Cel. Primo... Um dos seus bisnetos - Geraldo Cornélio - talvez tenha conhecido essa cruz, pois comprou uma parte daquelas terras há mais de vinte anos atrás..."

      Você conhece esse Geraldo Cornélio? Se sim, poderia um dia tirar uma foto dessa cruz na estrada e me enviar? Gostaria de colocar aqui no blog como parte da história

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  3. Minha avó é da Família Agra ... Ela sempre me contou essa história..Feliz em Saber tudo sobre minha Família

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